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sexta-feira, 17 de agosto de 2012

ENFIM LEITURA CÔMODA NA CAMA



Quem gosta de desfrutar de uma boa leitura deitado em sua cama sabe como é difícil conseguir uma posição confortável. Dores nos braços e no pescoço são comuns, por isso não conseguimos ficar muito tempo concentrado na leitura. Às vezes a gente se surpreende lendo Huxley com uma perna atrás da orelha e uma mão segurando o outro pé enquanto segura o livro com os dedos da outra mão ou do outro pé ou com algum outro dedo que tenha surgido do tornozelo como resultado da evolução genética dos leitores através das gerações.

Para resolver isso, chega ao mercado o Prism Glasses, um óculos desenvolvido para se ler deitado, de forma relaxada, sem esforço.

O Prism Glasses funciona com um jogo de espelhos que reflete a imagem do livro diretamente nos seus olhos. Custam pouco mais de 60 reais, um investimento para evitar um nó na coluna, ainda que duvido muito que algo assim seja saudável para os olhos.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

PESQUISA FAZ CRESCER CABELO HUMANO EM CAMUNDONGO

Estrutura da pele responsável por produzir pelo foi implantada na costa do animal, contendo células-tronco humanas


Teste em ratos está trazendo esperança ao tratamento da calvície em homens. Cientistas da Universidade de Ciências de Tóquio, no Japão, conseguiram fazer crescer cabelo humano na pele de um camundongo sem pelos. O estudo, publicado nesta terça-feira (17) na revista Nature Communications, representa ainda um importante avanço em pesquisas com células-tronco.

Os cientistas desenvolveram em laboratório folículos pilosos – que são estruturas da pele capazes de produzir um pelo – utilizando células-tronco retiradas da pele humana. Eles foram então transplantados nas costas de um rato careca. Três semanas depois, 74% destes folículos implantados geraram novos fios de cabelo.


Transplante foi realizado junto aos nervos e tecidos do animal, o que tornou os folículos totalmente funcionais e capazes de fazer crescer cabelo novamente, mesmo que ele caia ou seja arrancado. Os pesquisadores também conseguiram alterar a densidade e a cor do cabelo, dependendo do tipo de célula implantada no folículo piloso.

A equipe afirmou, porém, que vai levar ainda uma década para que o tratamento possa ser aplicado em humanos. Acredita-se também que a técnica não será utilizada para a cura de calvície prematura, mas apenas como tratamento de perda de cabelo devido a alguma lesão ou doença, já que há uma grande dificuldade em se regenerar grandes quantidades de cabelo.

terça-feira, 17 de abril de 2012

MÚSCULOS SÃO CULTIVADOS EM LABORATÓRIO

Cientistas estão construindo músculos com ajuda de células-tronco


Como você sabe, nossos músculos (e os de qualquer animal) ficam maiores a partir de exercícios repetitivos que os estimulem. A novidade é que, com essa técnica, cientistas estão criando – e aumentando – músculos em laboratório por motivos médicos e culinários.

Em teoria, músculos mais fortes poderiam ajudar pacientes com incontinência urinária a controlar melhor suas bexigas, como foi verificado por pesquisas na Universidade de Pittsburgh.

Transformando células-tronco em fibras musculares, depois injetando-as nos pacientes, eles fizeram com que os seus músculos abdominais ficassem mais fortes e fosse mais fácil controlar a urina.

Além disso, a técnica poderia trazer carne mais barata para nossas mesas. A Universidade de Maastricht está produzindo tecido muscular bovino para criar hambúrgueres de laboratório – tudo a partir de células tronco. A técnica não só diminuiria a crueldade com animais, como também é mais barata que criar um boi.

Além disso, uma espécie de carne feita de vegetais, é desenvolvida no Instituto. Ela tem propriedades mais parecidas com as da carne de animal, tem mais gosto e fibras, ao contrário da proteína de soja comercializada atualmente.


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

MENOR CAMALEÃO DO MUNDO É DESCOBERTO EM MADAGASCAR

O réptil é uma das menores espécies que habitam o planeta


Existe uma espécie de camaleão que é quase impossível de ser encontrada e que, por isso, os cientistas não tinham a menor ideia de que existia. Além da habilidade genética de se camuflar à paisagem, a nova espécie é do tamanho de uma moeda de um Real. 

A criatura, de 3 centímetros, foi descoberta essa semana por pesquisadores em Madagascar e já é considerada o menor réptil do mundo. Os pesquisadores conseguiram separar quatro tipos diferentes dentre as miniaturas de camaleão, que foram batizadas de Brookesia micra. 

Depois de realizar testes genéticos na espécie, Ted Townsend, da Universidade de San Diego, disse que o tamanho sugere que esse camaleão pode ter evoluído em Madagascar a partir de ancestrais pequenos, bem diferentes dos camaleões maiores e mais coloridos que nós conhecemos hoje. 

Agora, novas pesquisas serão realizadas, mas os especialistas já acreditam que eles podem ser os únicos da espécie que sobreviveram à destruição do habitat.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

17 CARROS, 5 TVs GIGANTES E US$ 175 MILHÕES; COMO VIVIA O DONO DO MEGAUPLOAD

Kim Schmitz, dono do Megaupload

Como você provavelmente já sabe, o site Megaupload foi fechado ontem pelo FBI, que o acusa de conter arquivos piratas. Isso é notório. Como vários outros sites de compartilhamento (Rapidshare, Uploadstation, etc), o Megaupload estava sim abarrotado de conteúdo ilegal. Mas por que o FBI foi atrás dele, justamente dele, e não fez nada contra os outros? Porque, como você deve ter aprendido em filmes de máfia, a ostentação geralmente acaba mal.

O dono do site, Kim Schmitz, morava em uma mansão na Nova Zelândia com 17 carros na garagem: 14 Mercedes, uma Maserati, um Rolls-Royce e uma Lamborghini. Com os US$ 175 milhões que lucrou desde a criação do Megaupload, em 2005, também comprou três TVs de 83″ e duas de 108″, motos, jet skis, obras de arte. E pagou salários altíssimos a seus comparsas - só o designer do site ganhava US$ 1 milhão por ano.

Mansão de Kim na Nova Zelândia

A investigação do FBI revela que os funcionários do Megaupload sabiam do conteúdo pirata, que chegavam a compartilhar entre si, e enganavam as empresas de entretenimento - pois não deletavam os arquivos que eram denunciados como ilegais. Mas a gota d’água parece ter sido um bizarro e engraçado vídeo promocional, que custou US$ 185 mil e traz músicos e celebridades como P.Diddy e will.i.am endossando o site. Foi uma provocação, que enfureceu a indústria do entretenimento e pode ter apressado a ação do FBI.

domingo, 22 de janeiro de 2012

ENTENDA O QUE É SOPA E POR QUE A INTERNET ESTÁ PROTESTANDO CONTRA ISSO


Se você não acompanhou as notícias da internet dos últimos dias e acha que SOPA é só um prato quente brasileiro, fique por dentro. A versão em inglês da Wikipédia está fora do ar, em protesto contra dois projetos que tramitam no Congresso dos Estados Unidos e que podem mudar para sempre o jeito como você usa a internet. Trata-se do SOPA e do PIPA.

O Stop Online Piracy Act (SOPA) (em tradução livre, Lei de Combate à Pirataria Online) é um projeto de lei da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos que amplia os meios legais para que detentores de direitos autorais possam combater o tráfico online de propriedade protegida e de artigos falsificados. O objetivo geral é proteger o mercado de propriedade intelectual, impedindo que mais pessoas percam seus empregos por causa da pirataria. Já o Preventing Real Online Threats to Economic Creativity and Theft of Intellectual Property Act of 2011 (Ato de Prevenção Contra Roubos e Ameaças Virtuais à Propriedade iItelectual) é uma lei proposta nos Estados Unidos para combater sites relacionados à pirataria.

Site da revista Wired também se juntou ao protesto global

Na teoria, faz sentido impedir a pirataria. Todo mundo sabe que é contra a lei. Mas os dois projetos vão bem além disso e não vão afetar só os sites norte-americanos. Entenda alguns motivos do protesto:

1. Os projetos dão ao governo liberdade para pedir ao Google e outras ferramentas de busca para excluir determinados sites do resutado das pesquisas. Ou seja, o governo poderia tercontrole sobre a lista de links que você pode acessar quando joga uma coisa no Google.

2. O governo também pode pedir aos grandes provedores de internet para bloquear o acesso a alguns sites para os seus usuários. É exatamente a mesma estratégia usada para censurarconteúdos adultos ou políticos na Síria e na China.

3. Se o governo descobrir que você encontrou uma ferramenta online que burla o bloqueio, ele também pode bani-la. O problema é que algumas dessas ferramentas são bem úteis a grupos que lutam pelos direitos humanos em lugares onde há censura.

4. A proposta também pode impedir que empresas façam propaganda em sites que façam parte da lista negra do governo.

Se você realmente precisar das informações da Wikipedia, pode dar um jeito de driblar o bloqueio. Mas, no futuro, isso pode não ser mais possível.

A princípio, a maior parte dos sites com terminações .net, .com e .org não devem ser afetados. Mas se a lei passar, vão se abrir precedentes para que outras medidas de censura sejam feitas na internet mundo afora. Inclusive no Brasil. Alguns sites brasileiros (como o do cantor Gilberto Gil e o site Trezentos) dão força ao protesto, assim como o site da revista Wired.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

O HOBBIT TEM TRAILER DIVULGADO

Quer saber como começou a saga do Senhor dos Anéis? Então você vai curtir muito esse filme.


Você gostou da trilogia de filmes do Senhor dos Anéis? Então se prepara porque vem aí “O Hobbit”, uma nova adaptação da obra de JRR Tolkien que vai mostrar como tudo começou.

O longa é dirigido por Peter Jackson, que também foi o diretor da trilogia do Senhor dos Anéis. Mas já dá pra perceber que o filme tem um tom bem mais leve e divertido, já que na história original ninguém ainda sabia dos poderes malignos do anel e ele não precisava ser destruído. O Hobbit tem estreia prevista no Brasil só em 14 de dezembro, mas por enquanto dá pra curtir o trailer oficial.

sábado, 7 de janeiro de 2012

NASCEM OS PRIMEIROS MACACOS DO MUNDO FEITOS COM MISTURA DE EMBRIÕES


Se você tem familiaridade com a mitologia grega, já conhece as quimeras – seres híbridos que reúnem características de vários animais. Mas talvez você não saiba que a ciência já fez seres quiméricos “de verdade”: acabam de nascer nos EUA dois macacos produzidos a partir da mistura do código genético de seis outros bichos.

Calma, os macacos não têm bico de ave ou chifres. Os códigos genéticos misturados vinham de vários exemplares da mesma espécie. No caso, os macacos-rhesus. E por que o nascimento desses bichinhos virou notícia na comunidade científica? É que o grupo responsável pelo experimento (Centro de Primatas da Universidade de Ciências da Saúde de Oregon) é um dos expoentes mundiais nas pesquisas com células-tronco embrionárias.

Para esses cientistas, os macacos quiméricos são um importante passo no estudo sobre como genes modificados podem interferir em questões como obesidade, mal de Parkinson, diabetes e até problemas cardíacos. Alguns roedores já haviam sido produzidos com o mesmo procedimento. Mas a realização do experimento com macacos abre caminho para entender como funcionaria com humanos.

O grupo de cientistas explicou à revista científica Cell como foi feita a experiência. A edição ainda não foi publicada, mas a gente adianta: os primatas nasceram a partir da mistura de embriões de diferentes macacos-rhesus. A mistura foi, então, aplicada em fêmeas (mais ou menos como são produzidos os bebês de proveta). A experiência só funcionou porque as células embrionárias são totipotentes, ou seja, podem dar origem a qualquer célula diferenciada do organismo.

Os macacos Roku e Hex são saudáveis e passam bem.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

VACINA CONTRA O CÂNCER PODE ESTAR DISPONÍVEL EM 3 ANOS, DIZEM PESQUISADORES

Segundo estudos realizados na universidade da Geórgia, a vacina contra o câncer pode ficar pronta em 3 anos.


Uma equipe da Universidade da Geórgia, nos Estados Unidos, acaba de desenvolver a vacina contra o câncer. A vacina foi desenvolvida como um sistema imunológico forte para destruir tumores, e mostrou resultado positivo em 90 % dos casos de câncer de mama durante os testes de laboratório.

O remédio força os anticorpos a atacar o revestimento que envolve o câncer e matá-los. Em testes com ratos, foi particularmente bem sucedido no câncer na mama e tumores pancreáticos.

Os testes clínicos em seres humanos devem começar em 2013. De acordo com o líder do estudo, o professor Geert-Jan Boons, a vacina provoca uma resposta imune muito forte, ela ativa todos os três componentes do sistema imune para reduzir o tamanho do tumor.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

CÉLULAS-TRONCO DE POLPA DENTÁRIA PROMOVEM REGENERAÇÃO DA MEDULA ESPINHAL EM RATOS

Um grupo de pesquisadores da universidade de Nagoya, no Japão, acaba de publicar uma pesquisa muito promissora: a partir de células-tronco (CT) obtidas de polpa dentária humana – que tem o potencial de diferenciar-se em células ósseas, cartilaginosas, adiposas e também neurônios em condições especiais de cultivo – eles conseguiram regenerar a medula espinhal que havia sido seccionada em ratos adultos e recuperar a função locomotora das suas patas traseiras. O trabalho, liderado por Minori Ueda, foi publicado na prestigiosa revista The Journal of Clinical Investigation.



O que tem mostrado outros estudos pré-clínicos com CT na regeneração da medula?

A identificação de CT capazes de recuperar a medula espinhal após injúria tem sido objeto de muita investigação. Na última década células-tronco de diferentes origens (incluindo CT humanas neurais, CT derivadas de embriões e CT da medula óssea) foram transplantadas em ratos ou camundongos que haviam sofrido lesão da medula e seus efeitos foram avaliados. Entretanto as pesquisas mostraram que essas células tinham uma sobrevida e/ou capacidade de regeneração reduzida com pouco benefício terapêutico.

Como foi feita essa nova pesquisa do grupo japonês?

Os cientistas obtiveram CT da polpa dentária de dentes de leite e de adultos (dente de siso) e o primeiro passo foi verificar se elas conseguiam se diferenciar em cultura em células neurais, isto é, se elas expressavam vários fatores que são característicos de células nervosas. É importante lembrar que existem vários tipos de células nervosas que são necessários para se recuperar a função sensorial e motora após uma lesão de medula. Uma vez confirmado que as CT da polpa dentária expressavam fatores característicos de diferentes células neurais elas foram transplantadas em ratos imediatamente após esses terem sido submetidos a uma secção total da medula espinhal. Para verificar se os resultados dependiam das propriedades das CT da polpa dentária e não da metodologia empregada os cientistas usaram como controles dois grupos de ratos submetidos ao mesmo experimento: no primeiro grupo injetaram CT da medula óssea e no segundo fibroblastos ( células derivadas da pele).

Quais foram os resultados?

Ratos que haviam sido transplantados com CT de polpa dentária humana – tanto de dente de leite, como adulto – mostraram uma recuperação muito superior à observada nos grupos injetados com CT de medula óssea ou fibroblastos. Essa melhoria foi observada logo após a operação durante a fase aguda da lesão medular. Cinco semanas após o transplante, os ratos com CT de polpa dentária eram capazes de locomover as patas traseiras de modo coordenado, enquanto os dois outros grupos só conseguiam movimentos sutis. De acordo com os pesquisadores, a observação de que os animais conseguiram recuperar os movimentos sugerem que as CT derivadas da polpa dentária foram capazes de promover também a regeneração dos axonios, as terminações nervosas que são projetadas a partir dos neurônios da medula espinhal.

Em resumo as perspectivas são otimistas

As CT derivadas de polpa dentária mostraram uma capacidade neuroregenerativa significante quando injetadas em ratos imediatamente após a secção da medula espinhal . Houve inibição da morte dos neurônios e células da bainha de mielina (a bainha que recobre as terminações nervosas) após a injúria, regeneração dos axonios (terminações nervosas) e substituição de oligodendrócitos lesionados (as células responsáveis pela formação e manutenção das bainhas de mielina) por oligodendrócitos maduros. Entretanto os pesquisadores reconhecem que esses resultados só foram obtidos imediatamente após a secção total da medula – o que certamente não poderá ser avaliado em seres humanos – e não sabemos quais seriam os resultados em diferentes lesões da medula. De qualquer modo essa pesquisa abre perspectivas muito otimistas.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

NASA DESCOBRE PLANETA COM CONDIÇÕES HABITÁVEIS

O Kepler-22b tem temperatura média de 21ºC e gira em torno de uma estrela muito semelhante ao Sol


Astrônomos da NASA, a Agência Espacial Americana, descobriram um novo planeta aparentemente habitável. Segundo os cientistas, o Kepler-22b, como foi nomeado, possui temperatura média de 21ºC e se encontra 600 anos-luz distante da Terra. Foi rastreado pelo telescópio espacial Kepler, ativado em 2009 para explorar os céus em busca de mundos semelhantes ao nosso. 

A verdadeira natureza do novo planeta, porém, permanece desconhecida. Sabe-se que possui um tamanho 2,4 vezes maior que o da Terra, mas sua massa e composição ainda não foram determinadas. Ainda assim, os astrônomos acreditam que pode se tratar de um planeta rochoso, com prováveis grandes quantidades de gelo. 

O Kepler-22b gira em torno de uma estrela muito semelhante ao nosso Sol – sendo apenas um pouco menor e mais fria –, com um ano que dura 290 dias. Ele se encontra no que os astrônomos chamam de zona habitável, região em torno de uma estrela onde as temperaturas são medianas, possibilitando a existência de vida e de água líquida.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

É POSSÍVEL RETARDAR O ENVELHECIMENTO?


Não se trata de novas poções mágicas ou cremes milagrosos. Apesar de muitas pesquisas que já foram feitas sobre o envelhecimento os mecanismos que podem retardá-lo são ainda muito pouco conhecidos. Pesquisas em famílias de centenários ou o projeto oitenta-mais onde tentamos identificar genes de longevidade ou fatores responsáveis por um envelhecimento saudável poderão mostrar novos caminhos. E é isso que indica um artigo publicado na revista Nature (10 de novembro). Os resultados são impressionantes. Nessa pesquisa os autores mostram – em camundongos transgênicos afetados por progeria (a síndrome do envelhecimento precoce) que células senescentes têm um efeito adverso e contaminam as células vizinhas ainda saudáveis. Segundo Darren Baker – que é o primeiro autor dessa publicação – a remoção dessas células poderia prevenir ou retardar a disfunção do tecido e estender a expectativa de vida.
Como foi feito o experimento?
Para desenhar o experimento, os autores valeram-se de uma informação importante – a de que células senescentes produzem uma proteína chamada P16INK4A. Normalmente as nossas células têm um número de divisões programadas – em seres humanos ao redor de 60 vezes – e depois entram em processo de senescencia ou apoptose ( morte celular programada). Acredita-se que a proteína P16INK4A faria parte do mecanismo que controla o número de divisões das nossas células o que é fundamental também para prevenir o crescimento de tumores. Para testar sua hipótese, os pesquisadores utilizaram um camundongo transgênico que tem uma condição chamada progeria – que embora rara, afeta também seres humanos- na qual há um envelhecimento muito acelerado e várias características associadas a velhice tais como catarata, perda de tecido adiposo, comprometimento cardíaco, dificuldades na cicatrização e morte prematura. Através de uma técnica de engenharia genética os cientistas introduziram um gene nesses camundongos que causa a remoção das células senescentes- produtoras dessa proteína P16INK4A – quando administra-se uma droga específica (AP20187).
Qual foi o próximo passo?
Os cientistas então administraram a droga (a cada três dias após o nascimento) aos camundongos com progeria e observaram o que acontecia em comparação com um grupo controle que não recebia a droga. Os resultados foram espetaculares. Os animais que receberam a droga – e que deveriam,  portanto, eliminar as células senescentes – perderam menos tecido adiposo, mantiveram a musculatura e não apresentaram catarata. Entretanto, nos tecidos que não produzem a proteína P16INK4A como o coração e os vasos sanguíneos a droga não teve efeito. Por isso, não foi possível aumentar a expectativa de vida já que a morte desses animais é causada por parada cardíaca. Além disso, segundo o Dr. Baker, houve algum benefício mesmo quando a droga foi administrada a animais mais velhos.
Por enquanto só em camundongos
A pesquisa mostrou também que não houve efeitos colaterais evidentes após remoção das células senescentes. A observação de que a remoção ou a inibição de células senescentes protege o tecido circundante abre novas perspectivas para retardar o envelhecimento ou talvez o tratamento de doenças degenerativas – que podem ser muito promissoras. Mas é importante deixar claro que por enquanto esses resultados foram observados em camundongos – e afetados por progeria- e portanto não sabemos ainda se são aplicáveis a seres humanos.
Por Mayana Zatz

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

MAIS UM PASSO

Por: Mayana Zatz
Células- tronco embrionárias humanas formam neurônios produtores de dopamina em modelos animais de Parkinson
Com o envelhecimento da população a incidência de doenças da “maior idade”- ou melhor idade- vem aumentando substancialmente. A doença de Parkinson (DP) é uma delas. Segundo estimativas, nos Estados Unidos há 1 milhão de pessoas vítimas dessa doença – embora esses dados não sejam conhecidos com precisão para a nossa população. A idade de início geralmente se dá após os 50 anos, mas cerca de 5% das pessoas com DP tem menos de 40 anos. A DP é causada pela morte dos neurônios dopaminérgicos (ND), produtores de dopamina. Uma pesquisa recente coordenada pelo Dr. Lorens Studer, com células-tronco embrionárias (publicada na revista Nature de novembro) revela um avanço muito importante.
Quais são as consequências da perda dos neurônios dopaminérgicos?
A morte das células nervosas produtoras de dopamina ou neurônios dopaminérgicos localizadas em uma região do cérebro chamada de substantia nigra causa tremores, rigidez, lentidão de movimentos que caracterizam a DP. Alguns pacientes também apresentam cansaço, dor e depressão que podem piorar com a progressão da doença. Os tratamentos atuais são drogas que aumentam os níveis de dopamina. Em alguns pacientes são implantados eletrodos no cérebro que transmitem impulsos elétricos para aliviar as dificuldades de movimento. Entretanto todos esses procedimentos têm uma eficiência limitada e, portanto, a busca de tratamentos efetivos tem sido objeto de muitas pesquisas.

Os avanços com as células-tronco
Células-tronco embrionárias (CTE) ou pluripotentes têm sido objeto de muitas pesquisas científicas por terem o potencial de diferenciar-se em qualquer tecido e serem uma fonte promissora em medicina regenerativa de doenças que comprometem neurônios ou células nervosas. É o caso da doença de Parkinson. Já foi possível demonstrar in vitro – no laboratório – que CTE conseguem se diferenciar em ND, mas com uma eficiência limitada. Uma pesquisa recente, publicada na revista Nature ( 6 de novembro), coordenada pelo cientista Lorens Studer em Nova York (The Memorial Sloan-Kettering Cancer Centre) mostram resultados promissores usando uma nova estratégia para obter neurônios dopaminérgicos a partir de CTE. Essas células conseguiram ter uma longa sobrevida ao serem enxertadas no cérebro de camundongos, ratos e macacos com DP e melhorar o quadro clínico de camundongos e ratos com DP. Trata-se de mais um grande passo.

Um dos grandes desafios é produzir a célula certa
De acordo com os cientistas responsáveis por essa nova pesquisa coordenada pelo Dr. Studer, as células que haviam sido obtidas no passado produziam alguma dopamina, mas não o suficiente. Os efeitos clínicos em modelos animais eram limitados. Não se conheciam quais eram os sinais ou os segredos para induzir os neurônios derivados de CTE a serem eficientes neurônios dopaminérgicos. De acordo com esse novo estudo, os pesquisadores descobriram qual era o segredo, quais eram as moléculas responsáveis por dar o sinal certo para as células se diferenciarem em neurônios produtores de grande quantidade de dopamina.

O próximo passo eram os experimentos in vivo”
Uma vez obtidos os ND – o próximo passo era observar seu efeito em modelos animais, in vivo”. Para isso transplantaram essas células em camundongos e ratos nos quais havia sido induzida a DP. Nos dois modelos observaram que os ND obtidos no laboratório enxertaram-se no cérebro dos animais, permanecendo ali de maneira estável um longo tempo após o transplante. E a outra boa notícia é que os animais apresentaram melhora clínica.

Qual era o outro desafio?
O próximo desafio era conseguir obter essas células em grandes quantidades, uma condição indispensável se quisermos fazer terapias em humanos. E esse foi mais um importante resultado desse grupo. Eles conseguiram cultivar e obter quantidades suficientes para injetar no cérebro de dois macacos (macacos Rhesus), também com DP adquirida. Para poder localizar as células depois do enxerto elas foram marcadas com uma proteína fluorescente (GFP). Um mês depois do transplante, lá estavam elas, para felicidade dos cientistas e, é claro, de todos aqueles que torcem pelo sucesso dessas pesquisas.

Em resumo
A grande novidade desse trabalho é que os pesquisadores aparentemente descobriram a fórmula para produzir neurônios dopaminérgicos eficientes, mostraram que essas células permanecem no cérebro dos animais injetados um longo tempo depois do transplante e melhoram o quadro clínico em camundongos e ratos com doença de Parkinson induzida. Além disso, não houve formação de tumores ou aumento de crescimento neuronal nos três modelos animais injetados. Ainda serão necessárias novas pesquisas antes de iniciar-se ensaios clínicos em seres humanos. Mas certamente foi dado mais um passo muito importante. Além disso elas mostram – mais uma vez – a importância da luta para poder aprovar as pesquisas com CTE. Os resultados começam a aparecer.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

NOVA BATERIA DE CELULAR PODE DURAR ATÉ UMA SEMANA

Tecnologia produzida nos EUA carrega dez vezes mais rápido e dura dez vezes mais

Engenheiros da Universidade Northwestern, nos EUA, remodelaram a bateria de íons de lítio, fonte de energia de celulares e notebooks. Segundo os cientistas, o novo modelo é capaz de recarregar dez vezes mais rápido que as baterias de hoje, além de durar também dez vezes mais. 

A especulação é de que a nova invenção recarregue seu celular em apenas 15 minutos e dure por uma semana inteira. Segundo o autor da pesquisa, Harold Kung, em entrevista à revista Wired, depois de carregá-la por 150 vezes, ela ainda continua cinco vezes mais eficiente do que as baterias de íons de lítio presentes no mercado hoje. 

O segredo das novas baterias está no uso do grafeno, um componente que está sendo estudado para substituir o silício, já que possui uma velocidade de condução dezenas de vezes maior do que a deste último. A ideia é que a tecnologia esteja presente no mercado daqui a entre 2 e 5 anos.

sábado, 29 de outubro de 2011

PESQUISADORES DESENVOLVEM PELE ARTIFICIAL SUPER SENSITIVA

Dispositivo feito de nanotubos de carbono consegue sentir pressão

Fonte: Revista Galileu OnLine



Pesquisadores da Universidade de Stanford desenvolveram uma pele artificial extremamente elástica e capaz de ter sensibilidade e sentir pressão, o que a deixa muito próximo da real. O dispositivo pode ser contorcida sem quebrar ou fazer rugas.

O protótipo foi feito com nanotubos de carbono. Eles atuam como "molas" e podem medir a força que é aplicada.
“Este sensor pode registrar a pressão. Desde um aperto firme entre o polegar e o indicador até a pressão exercida por um elefante”, explica Darren Lipomi, pesquisador que participa do estudo.

Lipomi e seus colegas usaram nanotubos suspensos em líquido, espirrando-os em uma superfície de silicone e, então, esticaram o silicone. Veja como foi a pele foi construída no vídeo abaixo:



"O objetivo deste tipo de pesquisa é restaurar a funcionalidade em situações em que a pele foi perdida, em pessoas que tiveram alguma parte do corpo amputada, por exemplo, soldados feridos ou vítimas de queimaduras", apontou Lipomi. 

VÍDEO DA MICROSOFT MOSTRA COMO O MUNDO (NÃO) SERÁ EM 2020

Você viu este vídeo, que foi produzido pela Microsoft e imagina como será o mundo em 2020? Assim que a protagonista chega a uma nova cidade (Joanesburgo, na África do Sul), seus óculos traduzem o que está sendo dito. Ela pega um táxi - e a janela do carro mostra quanto tempo falta para chegar ao hotel e, via realidade aumentada, destaca o prédio onde a moça fará uma reunião amanhã. No quarto, telas inteligentes se ligam automaticamente e mostram informações personalizadas quando ela acorda. É tudo bem legal.
A questão é que, tirando uma ou outra coisa, as tecnologias necessárias para viabilizar tudo isso já existem hoje (Siri, Google Goggles, Foursquare etc). Essa realidade do futuro só não existe hoje porque ninguém teve a disposição, ou a inspiração, para escrever o software que interligue tudo - coisa que, aliás, a própria Microsoft poderia estar fazendo. Mas as interfaces da vida real nunca são tão eficientes, nem tão elegantes, quanto em vídeos assim. Pena.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

CLIQUE AGORA, FOQUE DEPOIS


É a promessa da câmera que nem foi lançada e já tem 1 milhão de compradores

Por: Carolina Cimenti
Fonte: Galileu OnLine

Em uma festa, o aniversariante chega e “surpresa!”, você bate a foto. Mas o rosto dele sai embaçado. Isso não deve ser mais problema com a Lytro, câmera que promete o que antes era inimaginável: primeiro você clica e depois, com a ajuda de um software, ajusta o foco no computador.

A tecnologia é a mesma das cenas de slow motion de Matrix (1999). No filme, centenas de câmeras foram ligadas a um megacomputador. Doze anos depois, essa pirotecnia vai caber em um gadget. Trata-se de um conjunto de microlentes e um sensor que capta luz de diversos planos e ângulos. “A câmera absorve as informações de todo o campo da imagem e você seleciona o que quer destacar”, diz Reng Ng, 31, fundador da empresa. Ele já recebeu US$ 50 milhões em investimentos e fisgou veteranos da Microsoft, Google e Apple para sua equipe.

A Lytro deve chegar ao mercado americano até o fim do ano, mas em seu site há mais de 1 milhão de compradores em lista de espera. Agora é esperar para ver se cumpre o prometido.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

PODEREMOS TER CARNE DE LABORATÓRIO EM 6 MESES


Cientistas estão trabalhando para fazer carne crescer de células e evitar a morte de animais

Por New Scientist
Fonte: Galileu OnLine
No começo, caçávamos para nos alimentar. Depois, passamos a criar animais. Agora, novas pesquisas podem permitir fazer carne de laboratório. O músculo cresceria de células animais multiplicadas. A ideia da carne sintética não é nova, até agora, ninguém conseguiu produzir o alimento de forma convincente. No entanto, as coisas podem mudar. Essa semana, pesquisadores irão se encontrar na Suécia para discutir o assunto.

De acordo com Mark Post, da Universidade de Maastricht (Holanda), pioneiro da tecnologia, estamos a 6 meses de conseguir fazer a carne de laboratório. O cientista, que trabalha com células de porco, já conseguiu fazer crescer o músculo in vitro. Alimentando essas células com soro fetal de cavalo ele conseguiu fazer crescer tiras de músculo de 2,5 centímetros de comprimento e 0,7 cm de largura.
Para fazer com que a carne de laboratório tenha a mesma textura da natural, Post faz com que elas pratiquem exercícios. Ele coloca as tiras de músculo em velcro e as estica, mesmo assim a carne artificial continua pálida porque não tem sangue e há pouca quantidade da proteína responsável pelo ferro. Mas o pesquisador estuda maneiras de acrescentar essa proteína e começar a trabalhar com células de boi.

Com pesquisas como essas não há limites para o tipo de carne que poderíamos criar em laboratório. Atualmente comemos carne de animais que foram domesticados mais facilmente, e esse é o limite entre o que é animal selvagem - portanto, não seria ético consumir - e o criado em larga escala para o abate. Sem a morte animal, até os vegetarianos mais ativistas poderiam comer um hambúrguer de panda sem culpa.

No entanto, para se começar a cultura de células em laboratório, é necessário recolher células de animais vivos. Se os cientistas conseguirem descobrir os tipos de células animais que mais se multiplicam, podem deixar a produção em laboratório mais eficiente e ficar cada vez menos dependentes dos seres vivos.

Outro porém é que, mesmo se Post conseguir criar sua carne de laboratório entre 6 meses e um ano, ainda não se sabe o quão segura ela seria. No caso das células alimentadas por soro de cavalo, o produto final poderia estar contaminado com proteínas chamadas príons, perigosas à saúde. E, o problema ético continua, alimentar carne sintética com produtos animais não excluí a matança da produção.

Um outro grupo da Universidade de Amsterdã desenvolve carne alimentada por cianobactérias, as algas azuis. Delas é extraído um alimento rico em aminoácidos, açúcares e gordura, importantes à célula animal.

Apesar da carne de laboratório correr o risco de ser mal vista por boa parte da sociedade. O PETA (organização pelos direitos dos animais) ofereceu US$ 1 milhão para o primeiro que conseguir produzir carne sintética comercialmente.

E que tal um churrasquinho de mico-leão sintético sem culpa, você comeria?


quarta-feira, 31 de agosto de 2011

DOIS EM UM


Substância extraída de uma planta e usada no tratamento do diabetes pode ajudar também a combater o câncer. Em testes em laboratório, a droga teve resultados promissores no controle da proliferação de células tumorais.
Por: Fred Furtado
Fonte: Ciência Hoje OnLine
Arruda-caprária ou galega


Uma substância normalmente usada para tratar diabetes poderá se tornar mais uma opção no combate ao câncer. Testes em laboratório indicam que a metformina, extraída da planta conhecida como arruda-caprária ou galega (Galega officinalis), encontrada no sul da Europa e na Ásia Ocidental, também é capaz de controlar a proliferação de tumores.
Os resultados foram apresentados na 26ª Reunião Anual da Federação das Sociedades de Biologia Experimental (Fesbe), realizada na semana passada no Rio de Janeiro.
O coordenador da pesquisa, o médico José Barreto Campello Carvalheira, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), ressaltou a importância do desenvolvimento de tratamentos alternativos para o câncer, já que há uma tendência de aumento da incidência da doença.
Já se sabia que diabéticos tratados com metformina têm menos chances de desenvolver câncer
Ele explicou que existe uma correlação entre obesidade e aparecimento de câncer, e há um prognóstico de que, em 2020, 20% da população brasileira sejam obesos. “Obesos têm maior incidência de câncer e tendem a morrer mais desse mal”, disse. “Isso foi proposto originalmente em 1932 e, em 2003, um estudo confirmou definitivamente essa relação.” Além disso, sabe-se que pessoas obesas têm maior probabilidade de se tornarem diabéticas.
Segundo Carvalheira, já se sabia também que diabéticos tratados com metformina têm menos chances de desenvolver câncer. “Há uma redução significativa em vários tipos de tumor, desde 10% para pulmão até 50% para próstata, por exemplo”, comentou o médico.

Dupla dinâmica

Com base nessas evidências, os pesquisadores investigaram a possibilidade de a metformina ter ação anticancerígena. Em 2008, eles iniciaram um estudo com células tumorais em laboratório (in vitro). “Fizemos três tratamentos diferentes: com metformina; com paclitaxel, uma droga antitumoral; e com as duas simultaneamente”, explicou o biólogo Guilherme Rocha, que conduziu a pesquisa em seu mestrado.

Tanto a metformina quanto o paclitaxel foram capazes de aumentar, separadamente, a atividade de uma enzima chamada AMPk. Ela é um sensor energético que induz a formação de ATP, a molécula que funciona como combustível das células, e o aumento de sua atividade inibe a ação de outra enzima, a mTOR, responsável pelo crescimento celular. Ou seja, quanto mais ativa a AMPk, menos a célula vai crescer.
Mas o resultado mais interessante veio com o tratamento simultâneo: o efeito foi o mesmo, só que em uma intensidade muito maior, o que levou não só ao controle da proliferação do câncer, como também à morte de algumas células tumorais.
“A combinação dessas duas substâncias também inibiu o ciclo celular [conjunto de processos que ocorrem em uma célula para que ela se duplique e se divida] e o efeito de apoptose, a morte programada das células”, completou Rocha.

Testes promissores

Com esses resultados, o grupo iniciou, há cerca de um ano, testes clínicos de fase 2 em pacientes com tumores de cabeça e pescoço. “Normalmente, teríamos que passar pela fase 1, mas, como essas duas drogas já são usadas há muito tempo, pudemos pular essa parte”, revelou Carvalheira.
Atualmente, há 15 voluntários participando dos testes, mas o plano é chegar a 90. “O recrutamento está lento, porque os pacientes que podem participar são os que já passaram por vários tratamentos e muitos não têm condições físicas de entrar no estudo”, observou o médico, acrescentando que os resultados preliminares são bons, mas só poderão ser confirmados no fim da pesquisa.



quarta-feira, 3 de agosto de 2011

A FÁBRICA DE PELE

Laboratório alemão cria a primeira linha de montagem para produzir tecido humano em escala. Pode ser a salvação das cobaias

Por: Felipe Turioni
Fonte: Revista Galileu On-line

Um braço robótico leva os ingredientes de uma máquina para a outra. Eles passam por uma linha de montagem, onde são filtrados e misturados até se chegar ao produto final, pronto para a venda. Tudo automatizado, comandado à distância por um operador. Poderia ser a descrição de uma indústria química ou de alimentos, mas é da fábrica de pele inaugurada neste ano pelo Instituto Fraunhofer, na Alemanha, a primeira do mundo a produzir tecido humano em escala. Ela tem capacidade para entregar por mês 5 mil discos de pele pouco menores que uma moeda de um centavo, ao preço de 50 euros (cerca de R$ 120) a unidade. Ok, mas quem vai comprar isso?

O instituto, que aplica US$ 2,3 bilhões por ano em pesquisas de saúde, energia e comunicações, mira um mercado que deve se expandir. A União Europeia decidiu proibir, depois de 2013, a venda de cosméticos testados em animais. A pele feita em laboratórios é um dos procedimentos alternativos mais cotados para substituir as cobaias nessa tarefa. Outros clientes em potencial são as companhias farmacêuticas, já que também é melhor usar tecido humano para experimentar novos remédios do que ratinhos e coelhos. “A fábrica será importante ainda para produzir pele em transplantes”, diz a bioquímica alemã Heike Walles, diretora do projeto no instituto. O procedimento seria útil, por exemplo, na recuperação de pacientes que tiveram queimaduras graves.

A tecnologia de reproduzir partes de tecidos já existe em centros especializados, mas a fabricação em grande escala ainda não era feita. “Há poucas empresas no mundo que fazem pele reconstituída para cosméticos. A maioria produz membranas, culturas celulares mais simples. Fabricar em escala é um passo considerável”, diz o bioquímico Jadir Nunes, doutor pela Universidade de São Paulo e conselheiro da Associação Brasileira de Cosmetologia. O novo sistema alemão promete acelerar e baratear esse tipo de produção. 


LINHA DE MONTAGEM 

A fabricação de pele é uma espécie de replicação acelerada de tecidos obtidos com doadores voluntários. De acordo com os cientistas, cada doação de material humano é suficiente para 100 discos. Em um laboratório cercado por vidros para não haver contaminação, as máquinas trabalham sozinhas, comandadas do lado de fora por um especialista. Primeiro, picotam a amostra e filtram os pedacinhos. Depois, substâncias importantes para a replicação são extraídas e manipuladas, enquanto as células são “alimentadas” (confira o processo completo na próxima página). O resultado, a pele reconstituída, é uma substância esbranquiçada, mas que também pode adquirir outras tonalidades. “A vida é de 6 dias dentro da clínica”, explica Michaela Kaufmann, pesquisadora assistente do Instituto Fraunhofer. 


Essa tecnologia deve produzir tecido humano em escala também para transplantes até o final de 2012, o que dependerá de adaptações e do aval da União Europeia. Uma decisão da entidade obrigou que organismos criados fora do corpo humano sejam classificados como instrumentos farmacêuticos, o que significa que devem passar pelos mesmos testes rigorosos aplicados a remédios antes de serem liberados para uso médico. Será usado o mesmo sistema dos discos produzidos para as companhias de cosméticos mas, em vez de doadores, a pele virá do próprio receptor. “O que vai acontecer é um autotransplante com a retirada de pele do mesmo corpo que receberá depois o material”, diz a diretora do Fraunhofer. Com isso, a possibilidade de rejeição diminui.

Para que a pele fabricada possa ser “colada” ao receptor, as máquinas serão programadas para estimular no material coletado a produção da proteína fibronectina. A substância faz parte das membranas celulares do nosso corpo, e é responsável por estabelecer conexões com outras moléculas — como o colágeno —, ativar a circulação do sangue e ajudar na cicatrização. “Todos poderão utilizar a pele e esse tipo de transplante deverá ser fundamental para pacientes que sofreram fortes queimaduras ou têm algum ferimento crônico”, afirma Walles. A escala deve trazer benefícios aos transplantes. “Essa maquinaria pode ser importante na produção de pele quando há ferimentos em grandes superfícies do corpo”, diz Radovan Borojevic, professor de Biologia Celular da UFRJ, sobre a ajuda que o sistema robotizado trará a quem precisa desse tipo de cirurgia. “É um tipo de pele muito difícil de ser manipulado e extremamente frágil.”

De acordo com Heike Walles, do Fraunhofer, o Brasil também pode ter produção de pele nesses moldes em breve. Os alemães estão em negociação com duas empresas de perfumes e cosméticos nacionais (que preferem não ter os nomes divulgados) e informam que cogitam abrir uma espécie de filial aqui. O objetivo é fazer testes de produtos para substituir cobaias, mas, como na sede, o laboratório poderia ser adaptado para fabricar tecido humano destinado a transplantes. A produção para cosméticos usará material coletado de doadores brasileiros — o que elimina dificuldades de transporte e melhora a aceitação da pele entre os pacientes locais.